O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, concedeu nesta quinta-feira (22) prazo de 24 horas para Meta apresentar um relatório técnico sobre o funcionamento do canal Exército do Lula, criado no WhatsApp para postagens de apoios ao candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ministro atendeu ao pedido protocolado pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
A campanha de Flávio alega que há indícios de que as redes operadas pela Meta não estariam cumprindo o plano de conformidade entregue ao TSE para garantir a integridade do processo eleitoral.
Após a plataforma informar à campanha que não encontrou irregularidades, os advogados de Flávio citaram na ação enviada ao Tribunal que a empresa não indicou os critérios adotados para concluir pela ausência de indícios e informações sobre o período temporal que teria sido examinado.
Com a decisão, a Meta deverá realizar uma pente-fino no canal Exército do Lula e prestar informações sobre o suposto comportamento coordenado entre contas e canais, padrões de engajamento, rastreabilidade de conteúdos, análise de atividades publicitárias, entre outros dados.
O Google e o X também deverão informar se identificaram ações coordenadas de hashtags.
Registro
Mais cedo, Kassio determinou o arquivamento do processo que tratou do registro do canal Exército do Lula.
A medida foi tomada após o canal ser registrado no tribunal pela campanha petista, e o TSE aprovar uma resolução para estabelecer que o registro de canais ligados às campanhas deve ser efetivado, assim como sites na internet e perfis nas redes sociais dos candidatos.
Indicação ao STF
Kassio foi indicado por Jair Bolsonaro em 2020. Flávio Bolsonaro atuou como um dos principais fiadores políticos da escolha (junto a lideranças do Centrão). Relatos apontam que Flávio apresentou o nome ao pai; Kassio não era o favorito inicial da lista pessoal de Jair. Na sabatina do Senado, Kassio negou interferências externas na indicação.
Ligações históricas
Kassio Nunes Marques (ministro do STF e presidente do TSE em 2026) tem ligações históricas e recentes com Flávio Bolsonaro, centradas na indicação ao Supremo, alegações de intermediação e decisões eleitorais questionadas por parcialidade.
Kassio Nunes Marques e Daniel Vorcaro (ex-controlador do Banco Master) aparecem ligados em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro, no âmbito das investigações do Caso Master. As reportagens mais recentes (especialmente da revista Piauí, UOL, Folha e outros veículos, de outubro de 2026) focam em uma festa e em benefícios alegados. Kassio nega qualquer envolvimento direto.
Mensagens entre Vorcaro e o diretor jurídico do banco falam em repasses mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques (filho de Kassio), via uma consultoria. Kevin e o ministro negam qualquer vínculo com o Master.

















