Análise do material extraído do aparelho do ex-dono do Banco Master mostra negociações sobre o filme Dark Horse, sobre Bolsonaro, mas não traz menção a repasse para documentário de Oliver Stone.
O conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apreendido pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero em novembro de 2025, não traz menção a suposto patrocínio ao documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone.
A informação ganhou repercussão após a divulgação, pela revista Veja no dia 8 de outubro, de um áudio em que Vorcaro afirma: “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais [que o filme de Bolsonaro]. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”.
Segundo a reportagem, o valor citado seria de cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo, negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto em troca de acesso aos fundos de pensão Previ, Petros e Postalis.
O que a PF encontrou de fato no aparelho, de acordo com as extrações já compartilhadas com gabinetes do STF, aponta para outra direção.
As mensagens confirmadas pela corporação tratam do financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, com negociação de US24milhões (cerca de R$ 134 milhões) e pagamentos de pelo menos R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. O material integra o primeiro celular apreendido de Vorcaro.
A produção do documentário “Lula” e a Secretaria de Comunicação da Presidência negaram em maio ter recebido qualquer recurso de Vorcaro ou do Banco Master, e afirmaram que Lula nunca pediu dinheiro ao banqueiro.
O caso gerou pedido de investigação do grupo Prerrogativas. Segundo o coordenador Marco Aurélio de Carvalho, Vorcaro teria sido estimulado a relatar uma suposta doação para o filme de Oliver Stone em troca de promessa de deixar a prisão em 2027 com tornozeleira, com liberação imediata de seu pai, Henrique Vorcaro.
O grupo afirma que a manobra buscaria criar equivalência política com o caso Dark Horse e prejudicar eleitoralmente o presidente às vésperas do segundo turno.
A PF informou ao STF em setembro que preserva o material original extraído do aparelho dentro de cadeia de custódia formalmente documentada e que o conteúdo precisa ser analisado com critérios de autenticidade, contexto e sigilo.
Daniel Vorcaro está preso desde março. A defesa não se manifestou sobre o áudio mais recente até o fechamento desta edição.

















