O advogado Willer Tomaz de Souza, amigo pessoal do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tornou-se um dos alvos centrais de múltiplas investigações da Polícia Federal.
As apurações envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de apostas online, participação no esquema de descontos indevidos no INSS e possível vazamento de informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na Operação Sem Desconto, a PF descreve Willer como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” que teria colocado estruturas à disposição de beneficiários do esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas.
Ele foi preso temporariamente em agosto de 2026 e teve escritório e imóveis alvo de buscas.
Paralelamente, a Polícia Federal investiga se as movimentações bilionárias do advogado em plataformas de apostas, especialmente a Blaze, serviram para lavar recursos de origem ilícita. Só em 2025, Willer movimentou cerca de R$ 5 bilhões em bets.
No período de janeiro de 2025 a julho de 2026, o total chegou a R$ 6,6 bilhões, com prejuízo líquido superior a R$ 188 milhões. A Justiça de São Paulo negou, em meados de outubro, o pedido do advogado para recuperar R$ 163 milhões perdidos na Blaze — ele alegava sofrer de ludopatia (vício em jogos).
A relação próxima com Flávio Bolsonaro está no centro de um inquérito no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A PF aponta viagens conjuntas (incluindo safári na África do Sul e voos em jatinho do qual Willer era cotista), pagamento de passagens internacionais por holding de apostas ligada ao advogado, empréstimo de imóvel para a campanha do senador e indícios de conta bancária em que Flávio teria sido cadastrado como “usuário master”.
Ambos negam qualquer vínculo financeiro irregular e classificam a relação como exclusivamente de amizade.
Nos últimos dias, novas frentes surgiram. A PF encontrou evidências de que Willer pagou para remover ou desindexar notícias que destacavam sua proximidade com Flávio.
O advogado também viajou ao exterior com a família, o que levou a corporação a “ligar o alerta”, embora ele afirme não sofrer qualquer restrição de ir e vir. Além disso, o escritório de Willer tem cerca de R$ 100 mil em débitos tributários inscritos em dívida ativa na Receita Federal, e a PF apura possível vazamento de minutas e documentos sigilosos do STJ para o advogado.
A defesa de Willer Tomaz nega todas as irregularidades. Em nota, o advogado afirma que seus recursos são lícitos e declarados, que não é alvo de apuração sobre as fraudes do INSS propriamente ditas e que as especulações têm fins político-eleitorais.
Flávio Bolsonaro também rejeita qualquer envolvimento em ilícitos e reitera que a amizade é apenas pessoal.
As investigações seguem em andamento no âmbito da Polícia Federal e do STF, sem condenações definitivas até o momento.

















