Mais uma polêmica tomou conta dos noticiários, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou neste domingo (27) que “gente de dentro” da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudou o PT a disseminar a informação falsa de que ele e sua família pretendiam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A entidade rebateu na mesma noite, negou qualquer envolvimento e classificou a acusação como injusta.
Durante agenda de campanha, Flávio classificou o episódio como “a maior fake news dessa campanha”. Segundo ele, “nunca existiu esse movimento” nem qualquer projeto nesse sentido. Sendo assim o candidato acusou o PT e a CNBB de espalharem a notícia.
“O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade”, declarou. O candidato não apresentou provas nem nomes.
A informação começou a circular com força nas redes sociais a partir de 24 de setembro e associava Flávio a uma suposta intenção de tirar o título da santa.
Um projeto antigo, de 2007, de outro parlamentar, foi arquivado. A campanha de Flávio negou a alegação e acionou a Justiça Eleitoral.
O ministro André Mendonça, do TSE, determinou a remoção de posts, mas o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou parte da decisão, o que o candidato criticou como favorecimento a uma “liga da mentira do PT”.
A resposta da CNBB
No começo da noite de domingo, a CNBB divulgou nota oficial.
O texto afirma:
“A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral. A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar. A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura.
”A entidade acrescentou que atribuir a ela participação em estruturas de desinformação, “sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira.
” A nota encerra reafirmando o compromisso da Conferência com a verdade, o diálogo e a paz.
Reações e contexto:
O advogado-geral da União, Jorge Messias, prestou solidariedade à CNBB. Em publicação nas redes, falou em “ataques e agressões” injustos por parte de Flávio e repudiou o uso da mentira como instrumento político e eleitoral. Messias destacou a importância da convivência respeitosa entre crenças no Estado laico.
O episódio ocorre a menos de uma semana do primeiro turno das eleições de 2026 e toca um tema sensível: a relação entre política e religião. Nossa Senhora Aparecida é símbolo central do catolicismo no Brasil, e o boato mirava eleitores católicos.
A nota da CNBB busca preservar a imagem de neutralidade da instituição, enquanto a acusação de Flávio eleva a temperatura do debate religioso na campanha.
Até o momento, a campanha do candidato não apresentou evidências públicas que sustentem a participação de integrantes da CNBB na disseminação da desinformação. A polêmica continua a repercutir na imprensa e nas redes sociais.
O projeto de 2007 foi apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli do PMDB-MT à época. O número da PL era 2.623/2007. Galli foi deputado federal por Mato Grosso em períodos como suplente (2007-2009 e 2012) e como titular (2015-2019).
Em fevereiro de 2019, após não se reeleger em 2018, foi nomeado assessor especial da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro (alocado na Casa Civil). Deixou o cargo alguns meses depois (exonerado em junho de 2019), após condenação judicial a pagar R$ 100 mil de indenização por declarações consideradas preconceituosas contra homossexuais.
Situação atual (setembro de 2026):
Ele é candidato a deputado federal por Mato Grosso pelo Progressistas (PP), com o número 1123. A candidatura está deferida pela Justiça Eleitoral. Ele apoia publicamente a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e já participou de agendas de campanha com o senador.

Fonte/Edição: RNC – Foto: CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil/Arquivo
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