Com a Copa do Mundo FIFA 2026 já em andamento nos Estados Unidos, Canadá e México, uma onda de alertas circula nas redes sociais: influenciadores que gravarem e postarem conteúdo nos arredores dos estádios ou dentro das arenas sem um “visto de jornalista” correm risco de deportação. Mas até que ponto isso é verdadeiro?
A resposta é sim, há risco real, mas a situação é mais nuançada do que os posts sensacionalistas sugerem. As autoridades americanas de imigração não criaram uma regra nova exclusivamente para a Copa, mas reforçaram a aplicação de normas existentes contra trabalho não autorizado por visitantes com visto de turista.
A regra principal: turista não pode trabalhar
De acordo com o U.S. Customs and Border Protection (CBP) e o Departamento de Segurança Interna (DHS), entrar nos EUA com visto B-1/B-2 (turismo/negócios) ou pelo programa de isenção de visto (ESTA/VWP) e produzir conteúdo monetizado — como vídeos com patrocínios, lives pagas, parcerias ou qualquer forma de receita gerada a partir do solo americano — é considerado trabalho ilegal.
Isso inclui gravações profissionais ou semi-profissionais com intenção comercial durante o evento. As consequências podem ser:
- Recusa de entrada no aeroporto;
- Cancelamento do visto;
- Deportação;
- Dificuldades para obter vistos futuros.
As autoridades têm aumentado a fiscalização, inclusive analisando perfis de redes sociais como evidência do propósito real da viagem.
“Visto de jornalista” é obrigatório?
Nem sempre. O Visto I (Media Visa) é destinado a profissionais de imprensa estrangeira (jornalistas, repórteres, fotógrafos e equipes de mídia) que vão exercer atividade jornalística remunerada nos EUA para um veículo de comunicação sediado fora do país.
Para influenciadores e criadores de conteúdo digital:
- Se o foco for cobertura noticiosa ou editorial, o Visto I pode ser o mais adequado.
- Se for conteúdo comercial, de entretenimento ou de marca, opções como o Visto O-1 (para indivíduos com habilidades extraordinárias) ou outros vistos de trabalho podem ser mais apropriados.
Muitos especialistas em imigração reforçam: não existe um “visto de influenciador” específico. Cada caso é analisado individualmente, dependendo do volume de monetização, patrocínios e propósito da viagem.
Credenciamento da FIFA x Visto de entrada
Ter credenciamento de mídia da FIFA (via Media Hub) facilita o acesso a zonas oficiais, Fan Festivals e oportunidades de conteúdo dentro do ecossistema do evento. No entanto, ele não substitui o visto de imigração correto. O credenciamento ajuda na logística interna, mas as regras de entrada e permanência nos EUA continuam valendo.
Influenciadores podem se candidatar a credenciamentos para criadores de conteúdo em alguns Fan Festivals, mas o processo é seletivo e revisado caso a caso.
Turista casual x Influencer profissional
Gravações casuais como torcedor (sem patrocínios evidentes nem monetização direta): baixo risco.
Produção profissional com objetivo de gerar receita: alto risco se entrar como turista.
A linha divisória costuma ser a intenção e a monetização. Postar stories pessoais é diferente de produzir séries de vídeos patrocinados ou lives com engajamento pago.
Contexto maior:
Essa postura rigorosa não é exclusiva da Copa. Os EUA historicamente distinguem turismo de trabalho e intensificaram a fiscalização em grandes eventos. Reportagens recentes do O Globo, El País e outras veículos confirmam o endurecimento anunciado por CBP e DHS às vésperas do torneio.
Recomendação prática: influenciadores e criadores de conteúdo que pretendem produzir material profissional durante a Copa devem consultar um advogado de imigração especializado em vistos americanos antes da viagem. Planejar com antecedência o tipo de visto adequado evita problemas na fronteira.
A mensagem das autoridades é clara: a Copa é bem-vinda, mas respeitando as regras de imigração. O sonho de cobrir o maior evento de futebol do mundo não precisa acabar em deportação — basta fazer da forma legal.
Matéria: RNC – Imagem: I.A.
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