O Departamento de Estado dos EUA (@StateDept) publicou no X um vídeo de pouco mais de 5 minutos sobre a Doutrina Monroe, narrado pelo embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera.

A legenda oficial diz: “The Monroe Doctrine has shaped U.S. foreign policy for over two centuries. American dominance in the Western Hemisphere will never be questioned again.”

O que o vídeo afirmaEle traça a origem da doutrina (discurso de James Monroe ao Congresso em 1823, no contexto das independências das colônias espanholas e do temor de recolonização europeia).

Apresenta-a como princípio de “América para os americanos”, que evoluiu de um alerta às potências europeias para um “marco de predomínio regional” e “pedra angular” da conduta americana no hemisfério.

Exemplos citados incluem:

  • Apoio à independência do Panamá da Colômbia (1903) e o controle do Canal.
  • Crise dos mísseis de Cuba (1962), com Kennedy invocando a doutrina.
  • Políticas de Ronald Reagan contra grupos apoiados pela União Soviética na América Latina.

No trecho contemporâneo, o vídeo apresenta Donald Trump como “o mais recente defensor” da doutrina. Destaca a Operação Absolute Resolve (janeiro de 2026), que resultou na captura de Nicolás Maduro (e de Cilia Flores), levado aos EUA sob acusações de narcoterrorismo.

Segundo o material, essa ação “transmitiu um sinal contundente por todo o hemisfério”. Inclui trecho de Trump: “De acordo com nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado.”

Contexto mais amplo

Isso se alinha à Estratégia de Segurança Nacional do segundo governo Trump (divulgada em final de 2025), que fala em reafirmar e fazer cumprir a Doutrina Monroe, com um “Corolário Trump” (às vezes chamado informalmente de “Doutrina Donroe”).

O documento prioriza o Hemisfério Ocidental, visa restaurar a preeminência americana e limitar a influência de potências externas (como China ou Rússia) na região.

A Doutrina Monroe original (1823) era basicamente defensiva: oposição a novas colonizações europeias nas Américas, com os EUA prometendo não interferir em colônias europeias existentes.

Ao longo do tempo — especialmente com o Corolário Roosevelt (início do século XX) — foi reinterpretada para justificar intervenções americanas e uma esfera de influência. O vídeo oficial enfatiza a continuidade e o “domínio”, omitindo críticas históricas comuns (apoio a ditaduras, intervenções etc.).

A publicação gerou reações na América Latina e em veículos de imprensa, com interpretações que vão desde afirmação de prioridades de segurança dos EUA até acusações de imperialismo ou protetorado hemisférico. O momento coincide com tensões diplomáticas e comerciais (incluindo com Brasil e China) e apoio americano a governos de direita na região.

O principal alvo e o recado são bem claros

Quem querem atingir:

  • Países da América Latina (o público mais direto)
    Especialmente governos, elites políticas e militares que se aproximam demais da China, da Rússia ou de qualquer potência de fora do hemisfério, ou que adotam posturas consideradas hostis aos interesses americanos (narcotráfico, alinhamento ideológico, controle de ativos estratégicos etc.). A captura de Maduro é explicitamente apresentada no vídeo como um “forte sinal a todo o hemisfério”.
  • China (o adversário estratégico prioritário)
    A atualização da Doutrina Monroe no governo Trump (o chamado “Corolário Trump” ou “Doutrina Donroe”) tem como foco central conter a influência econômica, tecnológica e potencialmente militar chinesa na América Latina e no Caribe. A Rússia aparece em segundo plano.
  • Público interno americano
    Reforçar a narrativa de que a prioridade de segurança nacional voltou para o “quintal” (migração, drogas, estabilidade regional) e que os EUA recuperaram a disposição de exercer poder de forma assertiva.
  • Aliados e potenciais parceiros na região
    Enviar o recado de que quem se alinha (exemplos citados em contextos anteriores: Milei na Argentina, certos setores na Colômbia etc.) tem apoio, e quem desafia corre riscos.

Qual o recado?

O recado é deliberadamente direto e pouco diplomático: “O domínio americano nas Américas nunca mais será questionado.”

Em termos práticos, significa:

O Hemisfério Ocidental é considerado esfera de influência prioritária e inegociável dos Estados Unidos. Desafios à primazia americana — seja por atores locais (como Maduro) ou por potências externas (principalmente a China) — serão enfrentados com determinação, inclusive com ações militares ou de força quando necessário.

A “era de negligência” acabou. Washington quer restaurar a preeminência americana na região e impedir que rivais controlem ativos estratégicos ou projete poder perto das fronteiras dos EUA.

Em resumo: é um aviso de dissuasão regional + reafirmação de hegemonia. O vídeo transforma a Doutrina Monroe (originalmente um alerta aos europeus em 1823) em uma declaração explícita de primazia americana no século XXI, usando a operação na Venezuela como prova de que a ameaça não é só retórica.

Fonte: RNC – Imagens: RNC/Frame

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