Após cerca de 10 dias de missão — incluindo o sobrevoo da Lua e o recorde de distância da humanidade da Terra —, a cápsula Orion da Artemis II está prestes a realizar um dos momentos mais críticos de toda a viagem: a reentrada na atmosfera terrestre.

O retorno está previsto para esta sexta-feira, 10 de abril de 2026, por volta das 21h07 (horário de Brasília), com splashdown (pouso na água) no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, na Califórnia (EUA).

A tripulação é formada pelos astronautas Reid Wiseman (comandante), Victor Glover, Christina Koch (da NASA) e Jeremy Hansen (da Agência Espacial Canadense).

Velocidade impressionante: quase 40 mil km/hA Orion vai atingir a atmosfera superior da Terra a aproximadamente 38.400 a 40.000 km/h (cerca de 30 a 32 vezes a velocidade do som). Isso significa que a cápsula estará viajando a mais de 10 km por segundo.

Para se ter uma ideia: essa velocidade é suficiente para cruzar a distância entre Los Angeles e Nova York em cerca de 6 minutos. A cápsula vem de uma trajetória lunar de retorno livre (free-return), acelerada pela gravidade da Terra enquanto se aproxima do planeta.

Calor extremo: mais quente que a superfície do Sol

Ao entrar na atmosfera a essa velocidade, a compressão do ar à frente da Orion gera um calor intenso. As temperaturas no escudo térmico podem chegar a cerca de 2.760°C a 3.000°C (algumas fontes citam picos próximos de 5.000°F, ou metade da temperatura da superfície visível do Sol).

Sem proteção, a cápsula e a tripulação seriam incineradas. Por isso, a Orion conta com um escudo térmico de 5 metros de diâmetro feito de material ablative (Avcoat), que se erode controladamente, dissipando o calor.

Durante a fase de pico de aquecimento, forma-se uma camada de plasma ao redor da cápsula, que bloqueia as comunicações por rádio por cerca de 6 minutos — um “blackout” total em que tudo depende dos sistemas automáticos da nave.A NASA ajustou o perfil de reentrada após problemas observados no escudo térmico durante a missão não tripulada Artemis I.

Em vez de uma reentrada “saltitante” (skip reentry), optou-se por uma trajetória mais íngreme e direta, que expõe o escudo a temperaturas mais altas por menos tempo, reduzindo o risco de danos maiores. A tripulação deve sentir forças de até 3,9 G (quase 4 vezes a gravidade da Terra).

Como será o retorno passo a passo:

Aqui está a sequência principal do retorno (horários aproximados em EDT; converta para Brasília adicionando 3 horas):

  • Separação do módulo de serviço: cerca de 20 minutos antes da reentrada. O módulo de serviço (que fornece propulsão e energia) se desprende e queima na atmosfera.
  • Ajuste final de trajetória: pequeno disparo de motores para afinar o caminho.
  • Interface de entrada (cerca de 120 km de altitude): a Orion começa a sentir a atmosfera a ~23.864 mph (38.400 km/h).
  • Pico de aquecimento e blackout: plasma se forma e comunicações são interrompidas por ~6 minutos.
  • Desaceleração: a cápsula reduz drasticamente a velocidade graças ao atrito atmosférico e ao escudo térmico.

Abertura dos paraquedas:

  • Por volta de 22.000 pés (~6,7 km): paraquedas de estabilização (drogue).
  • Por volta de 6.000 pés (~1,8 km): três paraquedas principais se abrem.
  • Splashdown: a cápsula toca o mar a cerca de 27 a 30 km/h (velocidade segura). O pouso deve ocorrer por volta das 20h07 EDT / 21h07 BRT, no Pacífico, ao largo de San Diego.

O processo completo de reentrada até o pouso dura cerca de 13 minutos. Equipes de resgate da Marinha dos EUA, com apoio de helicópteros e navios (incluindo o USS John P. Murtha), vão recuperar a cápsula e os astronautas em até duas horas após o splashdown. Os tripulantes serão levados para avaliações médicas.

Por que esse momento é considerado o mais perigoso?

A reentrada é vista por muitos especialistas como a fase de maior risco da missão. Qualquer erro no ângulo de entrada pode resultar em calor excessivo (se muito íngreme) ou na cápsula “quicar” na atmosfera e sair de controle (se muito raso). Além disso, o desempenho do escudo térmico é fundamental para a segurança da tripulação.

A NASA expressou confiança no sistema após testes extensivos em solo e ajustes na trajetória. Esta será a primeira reentrada tripulada da Orion e servirá como teste crucial para futuras missões Artemis, incluindo pousos na Lua.

A Artemis II é o primeiro voo tripulado do programa Artemis desde o fim da era Apollo, em 1972. Após o sucesso dessa missão, a NASA planeja avançar para a Artemis III, que deve levar humanos de volta à superfície lunar.

Fique ligado nas transmissões ao vivo da NASA para acompanhar esse retorno histórico em tempo real!

Fonte: RNC – Informações: NASA – Imagem: RNC/NASA Divulgação

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