Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (21) uma parceria entre a empresa americana Crusoe e a paraguaia Araico para construir infraestrutura de computação de alto desempenho alimentada pela usina hidrelétrica de Itaipu.
O projeto, voltado a clientes de nuvem norte-americanos e latino-americanos, terá a primeira fase em operação a partir de meados de 2027.
O anúncio foi feito durante a visita do vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, ao Paraguai. Landau se reuniu com o presidente Santiago Peña e autoridades locais para ampliar a cooperação econômica e estratégica.
Em declaração, o secretário assistente Juan Pablo Segura destacou que “a represa de Itaipu demonstra o enorme potencial do Paraguai como centro energético regional, onde as empresas norte-americanas podem acessar energia acessível e confiável”.
Segundo o Departamento de Estado americano, a estrutura utilizará energia hidrelétrica de Itaipu. O comunicado não informou a capacidade prevista, o volume de energia contratado nem o valor do investimento.
O Brasil, que administra a usina em regime binacional com o Paraguai, não foi mencionado.
A iniciativa se insere em um interesse já demonstrado pelo governo Trump desde 2025, quando o secretário de Estado Marco Rubio sugeriu, em audiência no Senado, que o excedente de energia paraguaia de Itaipu poderia alimentar data centers de inteligência artificial.
O Paraguai historicamente vende ao Brasil a parcela de energia que não consome. Com o crescimento do consumo local e a chegada de projetos de tecnologia, esse excedente tem diminuído.
Além do acordo com a Crusoe, a visita de Landau incluiu anúncios de investimentos em urânio, cooperação em segurança contra o narcotráfico e negociações para uso pacífico de energia nuclear.
A movimentação reforça a aproximação entre Washington e Assunção e acende debates sobre o futuro da energia de Itaipu no contexto da corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.

















