A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (10 de setembro de 2026) a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares ligados, entre outros pontos, a organizações da produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino (STF) e realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre cerca de 49 mandados de busca e apreensão (sem prisões) em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Principais alvos e foco

Deputado federal Mario Frias (PL-SP): indicado como um dos alvos. Ele destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas (em 2024) a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama. Em maio, Frias negou ao STF qualquer desvio para o filme e afirmou que os recursos tiveram finalidade social (projetos de letramento digital e esportivo), com rastreabilidade no sistema Transferegov.

Karina Ferreira da Gama (produtora do filme via Go Up Entertainment) e duas ONGs dela: Instituto Conhecer Brasil (ICB) e Academia Nacional de Cultura (ANC). A própria produtora Go Up não está na lista de mandados, segundo reportagens.

A PF aponta a existência de uma organização criminosa (agentes públicos e privados) suspeita de direcionar recursos de emendas e contratos públicos a empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação efetiva dos serviços.

Há menção a movimentações de centenas de milhões de reais e tentativas de ocultação que teriam persistido até julho de 2026. Crimes investigados incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Contexto mais amplo

O caso das emendas (relatado por Dino) é uma das frentes de investigação sobre o Dark Horse. Outra, sob o ministro André Mendonça, apura repasses de cerca de R$ 61 milhões (ou mais, conforme delação recente) feitos pelo empresário Daniel Vorcaro (ex-Banco Master, preso) a pedido do senador Flávio Bolsonaro, com recursos que teriam passado por um fundo nos EUA. Há ainda investigações anteriores da Polícia Civil de SP sobre possível confusão patrimonial e desvio de verbas de um contrato de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo com o ICB.

O filme ainda não foi lançado e trata da trajetória de Bolsonaro (com Jim Caviezel no elenco, segundo reportagens). As apurações começaram a partir de questionamentos de parlamentares (como Tabata Amaral) e auditorias da CGU sobre possível desvio de finalidade de recursos públicos.

Até o momento das reportagens mais recentes, as defesas envolvidas não haviam se manifestado detalhadamente sobre a operação do dia 10, além das negações anteriores de Frias. O caso continua sob sigilo em grande parte e em atualização.

Fonte/edição: RNC – Imagem: PF/Divulgação

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