Na manhã de quarta-feira, 26 de agosto de 2026 (por volta das 8h30–8h40, horário local), parte de uma geleira desabou em alta altitude no Himalaia, na região da fronteira entre o distrito de Rasuwa (Nepal) e o condado de Gyirong/Jilong (Tibete, China).
O colapso gerou uma avalanche de gelo e rochas que atingiu o rio Lhende (Lhende Khola), bloqueou temporariamente o curso d’água e formou um lago de detritos.
Quando a barragem natural cedeu, uma onda de lama, água, pedras e gelo desceu em alta velocidade pelos vales, atingindo o porto de Gyirong (lado chinês) e depois entrando no Nepal pelos rios Bhote Koshi e Trishuli.
O que causou o desastre:
Análises preliminares de imagens de satélite (incluindo Planet Labs) e avaliações de glaciólogos e geólogos apontam para o desprendimento de uma seção substancial da parte inferior de uma geleira, a cerca de 5.200 metros de altitude. O material caiu aproximadamente 1.200 metros até o fundo do vale, pulverizando gelo e misturando-se com rochas e sedimentos.
Inicialmente, reportou-se um tremor de magnitude 4,4 (ou equivalente a 5,2), mas o Serviço Geológico dos EUA (USGS) esclareceu que o sinal sísmico foi gerado pelo próprio colapso glacial e pelo fluxo de detritos — não houve terremoto.
Não chovia intensamente na região; o evento foi uma inundação repentina gerada pela avalanche de gelo e rocha.
Especialistas do ICIMOD (Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas) e outros pesquisadores confirmam a hipótese de avalanche de gelo-rocha como gatilho principal.
Há alertas de risco de novos eventos por causa de um possível bloqueio residual a montante.
Vítimas e desaparecidos
Números oficiais (em constante atualização em 27 de agosto de 2026): Mortos confirmados: pelo menos 270 no total (cerca de 165–270 no Nepal e 3 no Tibete). O número deve subir, pois corpos continuam sendo encontrados a dezenas ou centenas de quilômetros rio abaixo (incluindo em distritos como Chitwan, Dhading e Nawalparasi).
Desaparecidos:
Cerca de 1.400–1.500 pessoas no conjunto Nepal + Tibete. No Nepal, centenas de turistas e peregrinos (incluindo muitos indianos a caminho do Monte Kailash Mansarovar, sagrado para hindus e budistas); no lado tibetano, mais de 550 desaparecidos (incluindo cerca de 260 estrangeiros).
Entre os desaparecidos há dezenas de americanos, britânicos, australianos, canadenses, malaios, ucranianos e outros, além de nepaleses, chineses, policiais e trabalhadores de usinas hidrelétricas.
A região é rota turística e de peregrinação (Langtang Valley, trilhas Tamang Heritage e acesso ao Kailash). Vilarejos como Timure, Syabrubesi/Syapru Besi e o posto fronteiriço de Rasuwagadhi foram fortemente atingidos.
Pontes (pelo menos 19), dezenas de quilômetros de estradas, casas e projetos hidrelétricos foram destruídos. Níveis do rio Trishuli subiram até 9 metros em cerca de 30 minutos em alguns pontos.
Resgate e resposta:
Equipes de resgate do Exército nepalês, polícia, drones, cães farejadores e helicópteros atuam no Nepal; no lado chinês, centenas de trabalhadores de emergência, veículos, barcos e cães foram mobilizados.
As operações são dificultadas por lama, estradas destruídas, risco de novos deslizamentos e terreno montanhoso instável. Autoridades chinesas alertaram para risco de lago represado a montante e reforçaram monitoramento. Há evacuações em zonas de risco.
O desastre ocorre em área já vulnerável a eventos relacionados a geleiras e ao aquecimento na região do Himalaia (houve inundações semelhantes no ano anterior na mesma zona).
Autoridades e cientistas destacam a necessidade de melhor monitoramento transfronteiriço de riscos criosféricos.
Fontes principais incluem relatórios de várias fontes e autoridades nepalesas e chinesas (Xinhua/CCTV), com dados atualizados até a manhã/tarde de 27 de agosto de 2026. Os números de vítimas e desaparecidos continuam sujeitos a revisão conforme as buscas avançam.
Fonte: RNC – Imagem: Frame-RNC- Redes Sociais
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