Os protestos na Argentina concentram-se principalmente em Buenos Aires e envolvem rejeição a políticas do governo de Javier Milei, com destaque para um projeto de lei sobre propriedade privada e uma marcha tradicional no Dia de San Cayetano.

Milhares de pessoas se reuniram nesta quinta-feira (06), em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires, contra o projeto de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada, impulsionado pelo Executivo (ligado ao ministro Federico Sturzenegger).

O texto busca reforçar direitos de propriedade privada, acelerar despejos (com procedimentos mais rápidos para casos de falta de pagamento ou ocupações), dificultar expropriações pelo Estado (com critérios mais restritos e indenização a valor de mercado) e flexibilizar regras sobre terras afetadas por incêndios.

Um ponto especialmente polêmico — que ampliava limites à compra de terras rurais por estrangeiros (hoje limitadas a cerca de 15%) — foi retirado pelo oficialismo por falta de apoio político.

Organização:

Sindicatos, partidos de esquerda, movimentos sociais e organizações populares.

Slogan principal:

“A pátria não está à venda” / “La patria no se vende”.

A mobilização começou pacífica, sob chuva forte, mas terminou em confrontos. A polícia usou gás lacrimogêneo, balas de borracha e canhões de água; parte dos manifestantes atirou pedras e outros objetos. Houve relatos de contêineres de lixo incendiados e danos a veículos policiais.

Saldo:

Entre 10 e 12 detidos (números variam conforme fontes), vários feridos (incluindo policiais e ao menos um fotógrafo/manifestante). Os confrontos duraram horas.

O Senado aprovou uma versão reduzida do projeto (37 votos a favor e 33 contra), enviando-o à Câmara dos Deputados. Foram excluídos os capítulos mais controversos sobre terras para estrangeiros e manejo do fogo.

Hoje sexta-feira, ocorre a tradicional peregrinação/marcha pelo Dia de San Cayetano (padroeiro do pão e do trabalho). Parte da Basílica de San Cayetano, em Liniers, e segue até a Plaza de Mayo.

Organizações sociais (como a UTEP), a CGT, as duas CTAs e outros grupos participam sob a consigna “Tierra, Techo y Trabajo” (Terra, Teto e Trabalho), legada ao papa Francisco.

Há críticas às políticas de austeridade, cortes sociais (incluindo o fim ou restrições a programas como o Volver al Trabajo) e perda de poder aquisitivo. Está previsto um “verdurazo” (distribuição de alimentos) e leitura de um documento conjunto. Espera-se grande convocatória e cortes de trânsito no percurso.

Essas ações fazem parte de um ciclo de protestos contra o ajuste fiscal de Milei (redução de gastos públicos, que ajudou a baixar a inflação, mas gera impacto social). Incluem mobilizações de aposentados, piquetes, cortes de rotas e reclamos por emprego, assistência social e proteção de terras (incluindo de comunidades indígenas).

Sindicatos e movimentos sociais anunciam continuidade da “luta”, com possíveis novas marchas e paros.

A situação permanece tensa, com forte presença policial em manifestações e divisão política: o governo defende as reformas como necessárias para atrair investimentos e dar segurança jurídica; a oposição e movimentos sociais veem risco de “venda da pátria”, precarização e perda de proteções sociais e ambientais.

Fonte: RNC – Imagem: Frame/RNC

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